No silêncio, as palavras brotam como gama cinza. Uma após uma, nascendo sem sentido, crescendo sem rumo, morrendo sem história. Sem flor, sem cor, sem vida, vão-se todas as raízes: esmorecem ao sol escaldante da ignorância. São como as ondas do mar, que crescem, quebram e partem, daqui para nunca mais. Cansam o próprio tempo, perdem a razão. Já se foram os momentos, já se foram os sorrisos, já se foram os sonhos. Fica o silêncio.
Mas mesmo nessa confusão de sons que envolve o silêncio, vez ou outra, na estação certa, sopra uma brisa úmida de esperança e raios do sol se inclinam despertando a vida. E as palavras que antes não tinham propósito agora tem um novo vigor e servem de alimento, formam tramas que se estendem por dimensões, antes, inalcançáveis, aprofundam-se as raízes que bebem águas fora das fontes do tempo. Nasce a poesia.
Pedro Lança, Pedro Augusto
caverna sistêmica
...
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
pássaro de vento
olhei pela janela por um tempo
enquanto o tempo me olhava por dentro
vi um pássaro transparente
que falava no meio da gente
e seu coração ardia em brasas
ele cantava com a voz da água
num momento dos olhos entreabertos
vi aquele pássaro diferente
ele conversava com todos
um diálogo entre o vento
e o gueto de cada mente
o pássaro levava em sua memória
a história, a escória
entre os olhares distraídos
vi aquele canto
que de repente sumia
no fôlego do tempo
por um momento
vi o pássaro invisível
que ouvia o indizível
o que dizia se transformava
com os olhos quase abertos
vi do pássaro cair fagulhas efêmeras
penas que se consumiam
enquanto escreviam no vento
e sumiam entre algum momento
entre as linhas da poesia
sábado, 31 de dezembro de 2011
no meio da roda
o tempo e as cordas dançam no fogo
e se espalham pelos trilhos indiscretos
ondas amorfas cantam no fogo
e se chocam nas paredes ambulantes
ecos agudos refletem no fogo
e se lançam como cacos cortantes
e se espalham pelos trilhos indiscretos
ondas amorfas cantam no fogo
e se chocam nas paredes ambulantes
ecos agudos refletem no fogo
e se lançam como cacos cortantes
sexta-feira, 17 de junho de 2011
um pouco
gosto de ouvir o silêncio
em acordes maiores
maiores que o tempo
caminhar despreocupado
pular de telhado em telhado
voar e sonhar acordado
respirar fundo
descansar com o vento
andar ao seu lado
ficar quieto,
...
terça-feira, 14 de junho de 2011
boa noite
vá, mas carregue alguns versos com você
encha os bolsos de doces palavras
leve para os sonhos as poesias
e lá você poderá cantar e dançar como o fogo
as estrelas dançarão como vaga-lumes
cataclismas formarão novos versos
com a voz do farol que acorda a manhã
assim, vigor e alegria se moverão em ondas
que despertarão como as tardes da infância
quebrando a monotonia dos dias estranhos
fazendo que os motores soem como chiados
chiados silenciosos de águas nascentes
e os enérgicos atos de fúria se perderão
criando obras incríveis em vez de vazios
encha os bolsos de doces palavras
leve para os sonhos as poesias
e lá você poderá cantar e dançar como o fogo
as estrelas dançarão como vaga-lumes
cataclismas formarão novos versos
com a voz do farol que acorda a manhã
assim, vigor e alegria se moverão em ondas
que despertarão como as tardes da infância
quebrando a monotonia dos dias estranhos
fazendo que os motores soem como chiados
chiados silenciosos de águas nascentes
e os enérgicos atos de fúria se perderão
criando obras incríveis em vez de vazios
segunda-feira, 11 de abril de 2011
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
cubo mágico
tempo não falta nessa história
o que não sobra é memória
pra saber o que passou
história é que não passa nesse tempo
o que não sobra é o saber
na memória que faltou
tempo não passa na memória
o que não falta é história
pra saber o que sobrou
memória não sabe o que passa
o que não sobra é o tempo
da história que faltou
(...)
o que não sobra é memória
pra saber o que passou
história é que não passa nesse tempo
o que não sobra é o saber
na memória que faltou
tempo não passa na memória
o que não falta é história
pra saber o que sobrou
memória não sabe o que passa
o que não sobra é o tempo
da história que faltou
(...)
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