segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

palavras e passos

No silêncio, as palavras brotam como gama cinza. Uma após uma, nascendo sem sentido, crescendo sem rumo, morrendo sem história. Sem flor, sem cor, sem vida, vão-se todas as raízes: esmorecem ao sol escaldante da ignorância. São como as ondas do mar, que crescem, quebram e partem, daqui para nunca mais. Cansam o próprio tempo, perdem a razão. Já se foram os momentos, já se foram os sorrisos, já se foram os sonhos. Fica o silêncio.

Mas mesmo nessa confusão de sons que envolve o silêncio, vez ou outra, na estação certa, sopra uma brisa úmida de esperança e raios do sol se inclinam despertando a vida. E as palavras que antes não tinham propósito agora tem um novo vigor e servem de alimento, formam tramas que se estendem por dimensões, antes, inalcançáveis, aprofundam-se as raízes que bebem águas fora das fontes do tempo. Nasce a poesia.

Pedro Lança, Pedro Augusto

 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

pássaro de vento


olhei pela janela por um tempo
enquanto o tempo me olhava por dentro
vi um pássaro transparente
que falava no meio da gente
e seu coração ardia em brasas
ele cantava com a voz da água
num momento dos olhos entreabertos
vi aquele pássaro diferente
ele conversava com todos
um diálogo entre o vento
e o gueto de cada mente
o pássaro levava em sua memória
a história, a escória
entre os olhares distraídos
vi aquele canto
que de repente sumia
no fôlego do tempo
por um momento
vi o pássaro invisível
que ouvia o indizível
o que dizia se transformava
com os olhos quase abertos
vi do pássaro cair fagulhas efêmeras
penas que se consumiam
enquanto escreviam no vento
e sumiam entre algum momento
entre as linhas da poesia



sábado, 31 de dezembro de 2011

no meio da roda

o tempo e as cordas dançam no fogo
e se espalham pelos trilhos indiscretos

ondas amorfas cantam no fogo
e se chocam nas paredes ambulantes

ecos agudos refletem no fogo
e se lançam como cacos cortantes



sexta-feira, 17 de junho de 2011

um pouco


gosto de ouvir o silêncio
em acordes maiores
maiores que o tempo


caminhar despreocupado
pular de telhado em telhado
voar e sonhar acordado


respirar fundo




descansar com o vento
andar ao seu lado






ficar quieto,










...






terça-feira, 14 de junho de 2011

boa noite

vá, mas carregue alguns versos com você
encha os bolsos de doces palavras
leve para os sonhos as poesias
e lá você poderá cantar e dançar como o fogo
as estrelas dançarão como vaga-lumes
cataclismas formarão novos versos
com a voz do farol que acorda a manhã
assim, vigor e alegria se moverão em ondas
que despertarão como as tardes da infância
quebrando a monotonia dos dias estranhos
fazendo que os motores soem como chiados
chiados silenciosos de águas nascentes
e os enérgicos atos de fúria se perderão
criando obras incríveis em vez de vazios



segunda-feira, 11 de abril de 2011

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

cubo mágico

tempo não falta nessa história
o que não sobra é memória
pra saber o que passou

história é que não passa nesse tempo
o que não sobra é o saber
na memória que faltou

tempo não passa na memória
o que não falta é história
pra saber o que sobrou

memória não sabe o que passa
o que não sobra é o tempo
da história que faltou

(...)