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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

pássaro de vento


olhei pela janela por um tempo
enquanto o tempo me olhava por dentro
vi um pássaro transparente
que falava no meio da gente
e seu coração ardia em brasas
ele cantava com a voz da água
num momento dos olhos entreabertos
vi aquele pássaro diferente
ele conversava com todos
um diálogo entre o vento
e o gueto de cada mente
o pássaro levava em sua memória
a história, a escória
entre os olhares distraídos
vi aquele canto
que de repente sumia
no fôlego do tempo
por um momento
vi o pássaro invisível
que ouvia o indizível
o que dizia se transformava
com os olhos quase abertos
vi do pássaro cair fagulhas efêmeras
penas que se consumiam
enquanto escreviam no vento
e sumiam entre algum momento
entre as linhas da poesia



terça-feira, 14 de junho de 2011

boa noite

vá, mas carregue alguns versos com você
encha os bolsos de doces palavras
leve para os sonhos as poesias
e lá você poderá cantar e dançar como o fogo
as estrelas dançarão como vaga-lumes
cataclismas formarão novos versos
com a voz do farol que acorda a manhã
assim, vigor e alegria se moverão em ondas
que despertarão como as tardes da infância
quebrando a monotonia dos dias estranhos
fazendo que os motores soem como chiados
chiados silenciosos de águas nascentes
e os enérgicos atos de fúria se perderão
criando obras incríveis em vez de vazios



quinta-feira, 26 de março de 2009

delírios

mas um dia veio a febre
e a mente se mentia pelos cantos
uns tantos da cidade calada
ficou vazia, parada, amarela
não amanhecia, não chovia
as rodas dos carros vazias
o lodo no banco, mato na rua
no morro da rua escura
era a mesma cidade parada
o asfalto se metia pelos prantos
uns cantos meio molhados
os sons meio apagados
tons misturados, muitos chiados
uns ruídos, umas ondas em chamas
de dentro dos olhares parados
esperando nos pontos os seus motivos
eram olhares calados, distraídos
tragados por traços desordenados
movimentos pesados, pensamentos mudos
levados por passos distantes
(...)